sábado, 25 de maio de 2013

Obra-prima... Primas!

Eu cheguei na Paraíba armada. Acho que é isso o que fazem a maioria das noras quando estão indo visitar a sogra. Se armam e ficam na defesa. No primeiro choque de ideias, o combate pode ter início: preparar, apontar... e pedra prá tudo que é lado. Tsc... tsc...tsc... tolinhas! Nós mulheres temos o hábito de competir espaço e se preciso, montamos em segundos um campo de batalhas. Nao sei exatamente de onde vem isso, mas creio que teorias expliquem. Fui recebida na Paraíba com um carinho e um respeito tao acolhedores que abro um sorriso largo só de lembrar. Mês que vem completo 5 anos morando fora do Brasil e quando revejo as fotos da Paraíba eu penso no quanto importante foi ter levado a Beatriz para encontrar os familiares. Nesses últimos dois meses que voltamos para a Suécia, estou escrevendo o relato de viagem e passando por uma série de reflexões na nossa vida. Algumas coisas mudaram para mim e estou vivendo um necessário momento "tatu-bola" (fechada para balanço).

Parte dessas reflexões me fazem avaliar o comportamento amistoso que observei nos nossos conterrâneos durante a viagem. Sim, do brasileiro. Um ser único que possui um DNA amistoso. O sueco nunca - nunquinha vai ter essa amorosidade que eu notei. Suecos possuem muitas qualidades, mas nao essa. E eu venho pensando no amor que a Beatriz recebeu no Brasil enquanto brincava com as primas e ganhava abraços dos tios. A paciência do avô em levá-la para brincar no carro todas as noites  na garagem e aquela avó, ah... a sogra... falo bem, falo mal, ou falo a verdade? A sogra foi uma verdadeira parceira com quem eu me sentia totalmente a vontade para conversar e pedir opinião. Avó dedicada, sogra tranquila, mae amorosa.

Quando moramos fora, é necessário atentarmos para a grande oportunidade que temos em criar um filho recebendo o que há de melhor em dois mundos, e definitivamente, nao abro mao do que há de bom do Brasil. Eu nunca cheguei num parquinho aqui em Estocolmo e escutei de um pai ou de uma mae: "Filho, dá a mao para a amiguinha! Filho, chegou uma amiguinha pra brincar!" e possivelmente, nao vou escutar - salvo se a Beatriz for mesmo "amiguinha" do piá. Mas no Brasil eu ouvi isso inúmeras vezes, porque isso é brasileiro. É o tipo de característica positiva, que é nossa e eu quero muito que a Beatriz cresça com ela.

Eu tinha receio de que nao rolasse química entre a Bia e as primas. Também fiquei com um pé atrás com os costumes, já que ela está habituada à cultura sueca. Mas que nada. Quanta bobeira da minha cabeça! A empatia entre as meninas aconteceu desde o primeiro dia e eu fiquei muito satisfeita em ver aquela aproximação, já que por aqui, nao temos nenhum familiar. Na Paraíba, vivemos dias de sol, com muita piscina, praia e calor. Digo, calor humano mesmo, aquele que encontramos entre brasileiros. Espontaneidade, risada alta, irreverência, amorosidade, felicidade, carisma, simpatia, amizade, brincadeira, molecagem, parceria, obra-prima... Primas! Quem nao tem um carinho especial por um primo e/ou uma prima desde a infância? Cresceu junto tocando o terror na vizinhança, ou se encontravam só nas férias pra destruirem a casa dos avós? Aquele primo ranhento que se recusava a usar lenço e às vezes comia secreção (eca!). O outro tinha o cabelo mais armado que o capitão-caverna e o beiço mais grosso que de um índio botocudo. Sempre tem um primo fresco que nao come nada e outro guloso, que come o resto dos outros. Tem aquele café-com-leite que é dedo-duro e o que pensa que é rico e conta vantagem. Tem o conselheiro e o chorão. Tem o que nao gosta de tomar banho, o estudioso e o folgado. E também tem o esquisito, mas toda a família finge que ele é normal.

Primo é aquele que escreve junto a história da nossa infância!

A infância é mais doce quando temos primos!
E como recordar é viver, aproveito prá registrar e relembrar os bons momentos com as primas na cidade de John People - Paraíba.


Desde o início, Beatriz se referiu a prima Alice - 3 meses mais velha - como Lilice. Deu química, sabe? Mas também, acho difícil alguém nao se dar bem com a Lilice. Já viu uma criança de 3 anos que compartilha os brinquedos?


O primeiro dia de piscina no clube, choveu pela manha, mas nada que desanimasse a dupla.


Eu sempre digo que pai bom é pai que dá segurança para o filho.

"Isso filha, fica calma que eu te seguur..." e derruba a menina!
E claro que procurei registrar todos os momentos de companheirismo entre elas!


E meu marido matou a saudade de comer guaiamum, esses caranguejos enormes. Quero dizer, esse da foto eu nao sei o que é nao... afinal, eu nao como! :)


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Amizade nao tem gênero

Tudo começou com um email onde elas me perguntavam como funcionava o processo de inseminação  artificial na Suécia. Quando li que se tratavam de duas mulheres, pensei: Quem seriam essas duas anônimas? Duas lésbicas lendo meu blog? Seria verdade? Como posso confiar? E duas pessoas do mesmo sexo podem ter filhos? É permitido isso?

Passei duas semanas pensando e fui pesquisar a resposta com uma amiga sueca. Ela me esclareceu com muito respeito sobre o assunto e entao eu acreditei que seria possível duas mulheres procurarem  essas informações e que era sim permitida aqui na Suécia, porém a maioria que faz isso procura a Dinamarca, pois lá dizem que é possível saber os dados do doador (o pai biológico nao é um anônimo). Respondi o email e vi que elas comentavam no blog de uma outra blogueira conhecida. Percebi que eram amigas e  senti-me mais relaxada com isso. 

Após minha resposta, elas fizeram-se mais presentes no blog e aos poucos, a afinidade foi acontecendo.  Trocamos alguns emails e eu descobri que nao eram duas mulheres qualquer. Eram duas mulheres especiais. Sensíveis, educadas, talentosas, responsáveis e muito humanas. Aquele tipo de pessoa que sente a dor do outro e tenta fazer algo a respeito. Quando começamos a nos conhecer, fui percebendo o quao inteligente elas eram e preocupei-me se eu, uma professorinha de Educação Física, teria respaldo para sustentar uma conversa com elas. Para minha alegria, além de conhecimento elas ostentavam a simplicidade como guia. Aquele tipo de pessoa inteligente que nao menospreza os menos sabidos, que nao se envaidece, que nao humilha, que aceita as pessoas menos qualificadas culturalmente porque acreditam em algo maior que títulos. A forma humilde de se apresentarem unida a compaixão por todos os seres (animal, plantas e crianças) só fez com que eu aceitasse cada dia mais aquela amizade inusitada. Parafraseando Zeca Pagodinho, "Nao faz assim que eu posso até me apaixonar..." Elas acompanhavam o desenvolvimento e foram se apegando a alguns bebês de blogs - nao somente o nosso. Mandaram presentes e cartas lindas que guardei para a Beatriz ler um dia. Por fim, elas desistiram da ideia da inseminação, mas nao das amizades que conquistaram virtualmente. No Natal, elas estavam todas arrumadas para a ceia, enquanto falavam comigo e com a Celi - que elas já conheceram pessoalmente em SP. Do outro lado da tela (e do mundo) no skype, eu e a Celi, trajando pijamas estampados e pantufas, conversávamos com elas e nos divertíamos na tríade simultânea Brasil - Alemanha - Suécia. E foi demais! Três vivas para a tecnologia, especialmente para o criador do skype, um estoniano que fez carreria aqui em Estocolmo.

Quando embarquei para o Brasil em janeiro deste ano, elas me escreveram: "Nos diga onde você vai estar, que nós iremos até você!" Pessoas de palavra me ganham rápido e eu sabia que elas nao falavam da boca prá fora. Elas foram nos encontrar em Joao Pessoa, capital da Paraíba em marco desse ano.  Eu, meu marido, Bia e elas: todos juntos tomando um banho de mar na Praia do Bessa. Depois da água de coco, seguimos para um restaurante beira-mar. O garçom disse que eu nao podia entrar de maiô e eu sussurrei a elas: "Duvido que se eu fosse a Gisele Bunchen (ou pelo menos tivesse o corpo dela), ele me mandaria vestir a canga!" Beatriz pediu sorvete antes do almoço e eu fiquei PPP... da vida, mas fiz aquela cara de paisagem. "Como assim Beatriz? Você NUNCA tomou nem pediu sorvete antes do almoço e bem no dia que eu vou conhecer duas leitoras especiais do blog, você me dá uma dessas? - Pensei - mas nao falei. Olhei para o freezer e pronto. Tomou cornetto antes da comida. Alguma sugestão para um momento desses? Eu sei que isso nao é nossa rotina, mas o que eu ia fazer ali? Deixei o pau comer, ou melhor, o sorvete acabar enquanto caí numa agradável conversa com nossas novas amigas. Meu marido ficou bem a vontade também, e todo esse clima descontraído foi decisivo para que o encontro fosse uma experiência de sorrisos e boas lembranças. 




A primeira vez que me separei da Beatriz durante a viagem, deixei-a com o pai e eles foram num parquinho brincar de pula-pula. Eu saí com o casal de amigas e fui até a Praia do Jacaré. Estive olhando as fotos de 2011 e constatei que dois anos se passaram e voltei lá com o mesmo par de sandálias. Só dou fim numa coisa, quando nao dá mais prá usar meeeesmo! :D


Divertidas, alto-astral, espirituosas, cheias de tiradas engraçadas. Essa foi minha experiência de primeiro contato com um casal homossexual. Eu espero que minha família continue lidando com esse assunto de uma forma leve e respeitosa. Eu nem precisei exercitar tolerância. No meu caso, conheci duas pessoas maravilhosas. Elas é que tiveram que ter tolerância comigo. Hehehehehhehe.... 
Obrigada Rô! Obrigada Alê! Vocês sao incríveis e moram no nosso coração! Beijos

PS- E quem disse que através de blog nao se faz amigos???

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nao existe pecado ao Sul do Equador

Naquela pacata e pequena cidade do Sul do Brasil, em torno da década de 80, as pessoas eram muito parecidas. O comportamento provinciano se repetia nos lares e a maioria - se nao todos - seguiam os mesmos costumes. Os negros eram raros, os mendigos também e gays nao existiam. Homossexualidade? Que palavra complicada! Ninguém falava sobre esse assunto polêmico, praticamente proibido. As crianças cresciam assistindo "Os trapalhões" no entardecer do domingo, e para muitas delas, Ney Matrogrosso era apenas um cantor que gostava de dançar e se fantasiar. Porque criança é pura e criança sem informação de adulto, é genuína. Naquela mente infantil, a imagem que vinha sobre o Ney era apenas a de um artista - alguém que sabia cantar e encantar o público. Ok, algumas crianças tinham medo daquele cara que usava maquiagem e roupas esquisitas. Mas mesmo assim, nao distinguiam um hetero de um homo. Digo, nao distinguiam como um adulto o faz, com a censura, a malícia e o preconceito. As crianças também nao sabiam o que era Regime Militar e nem o que diziam aquelas letras do Ney, mas reconheciam de longe a voz marcante e o balanço do extravagante artista. No ecoar daquele arrojado cantor, em torno das 19:30, já era hora de girar o botao de volume da grande caixa de madeira que chamávamos de televisão. (Se deixasse muito tempo ligada, a bicha esquentava e se bobear, queimava!) E nós curtíamos as canções. Tá certo, há quem nao goste, afinal, gosto é que nem pé. Mas aparentemente, as coisas eram mais divertidas do que pervertidas.

Por falta de oportunidade, de informação de qualidade e de boas conversas, muitos da minha geração cresceram como eu - sem saber o que de fato era um "gay". Nao existia nem a malícia, porque nós desconhecíamos o conceito. "Gay" era aquele cara afeminado, que fazia gracinhas e aparecia da TV. Pronto! Uma definição provisória se assentou no meu juízo: os gays eram na verdade artistas! Nao, nem todo artista é gay. Mas em suma, o cara que é gay vai para a tv. Na rua, na sorveteria, no supermercado, na vida cotidiana nao existia gay. Pelo menos, nao para minha cabeça.

O tempo passou, veio a adolescência e com ela, algumas informações (rasas) sobre o assunto. Estudei três anos em um colégio de padres e saí de lá sem saber ao certo se o pobre do gay quando morria ia queimar no inferno e abraçar o capeta. Anos mais tarde, eu decidi acreditar que inferno nem existia e deixei esse tema de lado. Passei a ouvir com mais atenção as músicas do Ney. Curtia Secos & Molhados, Mutantes, uhúúú... eu estava na faculdade, já era quase "gente grande", mas o assunto "gay" ainda era um tabu no meio que eu frequentava.

Eu lembro de um colega muito inteligente que saiu da nossa pequena cidade para estudar medicina na capital. Um ano depois, a mae dele fazia promessas na igreja. Alguns diziam que aquilo era uma maldição: o piá largou a medicina, decidiu estudar matemática, colocou brinco e declarou-se "gay"!

Amigas próximas estudavam medicina também e elas contavam que o curso era lotado de homossexuais. Eu nunca tive um amigo homo para chamar de meu, mas tive um cabeleireiro em Recife.  Esse conseguiu me convencer que luzes Platinum da Loreal (caras para meu bolso) me fariam bem. O arretado me dobrou e eu achei que as mulheres deviam mudar a cor de cabelo após o casamento - um tipo de mandinga prá dar sorte, sei lá. Acontece que nao ficou bom e sete meses depois eu cobri com tinta preta minha única tentativa de ser loira na vida.

Cintia loira nem pensar!
O tempo passou e eu vim para a Suécia. Aqui eu conheci uma outra forma de encarar a homossexualidade. A psicóloga do pós-parto, a enfermeira da minha filha, a pedagoga da creche e o diretor da minha escola falaram abertamente sobre esse assunto comigo. Ninguém fez rodeios para me informar os direitos de cada cidadão na Suécia, incluindo os homoafetivos. Entao eu me permiti olhar essa situação da mesma forma que eu assistia o Ney Matogrosso na minha infância - com pureza. Sem estereótipo, sem conceito pré-fabricado, sem interferência de terceiros. Eu nunca tive problemas com esse grupo, mas também, nunca tive contato. Quero dizer, "nao" até pouco tempo. Recentemente eu conheci um casal de mulheres e pela primeira vez, eu posso dizer que tenho amizade com alguém homossexual. Tem sido uma experiência feliz na minha vida. Elas sao leitoras deste blog e sabendo que eu estaria no Brasil com minha família de férias, foram até Joao Pessoa nos conhecer. Veja bem - foram até Joao Pessoa! - isso inclui uma viagem de avião! E agora, eu nao tenho uma, mas sim duas amigas homo pra chamar de minhas!

Queria dizer que ainda considero Ney Matogrosso um artista talentosíssimo. Seu álbum "Feitiço" foi lançado no ano em que eu nasci e a música "Nao existe pecado ao Sul do Equador" era uma das que ele cantava com os Trapalhoes aos domingos. 


Eu continuo sem muito entender sobre a homossexualidade. Nao tenho pesquisas científicas para argumentar, nem crenças religiosas para debater. Percebo que esse assunto está na moda e a maioria gosta de dar um pitaco - principalmente aquele pitaco preconceituoso, porém muito bem disfarçado. Já me disseram que a sexualidade vem no gene e por isso, é irremediável. Se Joao quiser ser Maria, nao há reza que cure sua atração por outros homens. Mas também já me disseram que o que acontece na infância é decisivo: nada de brincar de "seu pipi no meu popo". O pior foi que, para ambas as teorias, me disseram que a ciência confirma tudo. E aí??? E aí o auê continua - como bem sabemos.

Eu nao tenho pitaco para dar, até porque, que peso teria minha opinião? Mas eu tenho uma filha de 3 anos que está sendo criada em uma realidade bem diferente da minha e para ela, minha opinião sempre conta. Nessa realidade que ela vive, tudo é mais leve e as pessoas sao apenas seres humanos, praticamente sem sexo. Até os seis anos de idade, nao há distinção para brincadeiras, brinquedos e cores. É tudo neutro. É tudo puro. Tem cara de infância. Nao há Ney Matogrosso nem Trapalhões, mas felizmente, há respeito. E eu espero que essa seja a sua maior referência para todo e qualquer ser desse mundo! 

E você? Tem algo a acrescentar sobre esse assunto? Mete bala que eu tô na escuta! :D 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Churrasco, bom chimarrao...

No trajeto de Porto de Galinhas para Recife tivemos um trânsito daqueles. Recife me pareceu ainda mais caótica do que quando morávamos lá. Infelizmente, a "Veneza Brasileira" continua sendo a cidade mais estressante para se dirigir um carro que já conheci! Depois de indas e vindas com as malas, estávamos no aeroporto de Recife, almoçando e nos despedindo da Dani.  Claro que seria uma despedida triunfal, bem marcante. No balcão do restaurante, errei a senha do cartao e derrubei várias moedas no chao enquanto segurava a bandeja com a comida. A Dani pegava os copos para todas enquanto a Mikaela em processo de desfralde, soltou um xixi na calca. Beatriz, sem saber o que fazer, levantou meu vestido. Eu, segurando a bandeja com os pratos, sorri para a plateia que olhava minha calcinha e possivelmente a marca da sentada na abelha de Aracaju! Tudo que eu queria era sentar em uma cadeira e cobrir minha bunda, mas entao avistei um casal se apossando da nossa mesa. Claro que pedimos aos queridos sem semancol para vazarem. Pegar a mesa de duas maes na nossa situacao ali seria um delito muito grande. E entao comemos. E nos despedimos. E Beatriz chorou...

Mas naquele dia eu tinha o zap na mao. Para qualquer reclamada da Bia, eu trucava. Era Primeiro de marco. Enfim, tinha chego o dia do reencontro com o pai, o qual aconteceu no estacionamento do Shopping Recife. Beatriz levantava os bracinhos para o pai do próprio carrinho, com muita alegria. Diferente de 2011, ela aceitou ir para o colo dele e ficou feliz. No entanto, ela nao aceitava minha ausência por um minuto. Parecia que ela suspeitava que eu ia abandoná-la. Entao, o grude continuou mais um tempo... Beatriz ainda nao ficava sozinha sem mim, nem mesmo se fosse com o pai.

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Meu marido estava incrivelmente branco e gordo. Tanto tempo sozinho na Suécia, nao consigo imaginar a quantidade de fast food e chocolate consumidos. Mas agora ele estava no Brasil, e felicidade era seu sobrenome:

Filha, amigos e casquinha de caranguejo. Quer mais o quê?
Para aquela ocasiao, comprei um novo maiô para a Beatriz, o qual hoje, é o meu favorito! :)


Era um churrasco. Um churrasco que nossos amigos prepararam especialmente para nós. Beatriz - que adora carne - comeu quase meia peca de picanha. Eu nao ficava atrás. Sabe como é, cada vez que eu lembrava do preco do filé na Suécia, eu pensava em repetir mais um pouquinho. 


Era a primeira vez que Bia participava de um churrasco brasileiro. Foi uma ocasião especial e bem diferente para ela. Nossos amigos sao tao bacanas que providenciaram tudo. Tinha pula-pula inflável, parquinho, piscina e uma sala de espaco kids. Quando nao estava comendo carne, Beatriz estava brincando.


Parece mentira, mas esse churrasco foi planejado com cinco meses de antecedência. Quando estiveram aqui em Estocolmo, o casal de amigos que nos visitava nos perguntou o que gostaríamos de fazer no Brasil e meu marido falou sem cerimônia que estava com saudade de um "verdadeiro" churrasco - levando em conta que na Suécia chamam uma salsicha na grelha de churrasco. Naquele momento, outubro/2012, marcamos um churrasco que aconteceria no prédio deles. E assim, reunimos os amigos, inclusive os antigos colegas de trabalho. Nesse meio, fiquei amiga das esposas. Tem uma médica cearense afiada no dicionário nordestino. Sabe o que é pirangueira? Alma Sebosa? Farrapou? Com ela, aprendi até dizer "Diabéisso muié!". Tem outra engenheira que devia ser médica. Sério mesmo. Quando tenho dúvidas sobre alguma coisa com a Bia, pergunto primeiro a ela, e depois falo com minhas amigas médicas. Acho que ela tem o dom, sabe. :) Também tem a blogueira - que escreve sobre moda e coisinhas de meninas. O marido dela e meu marido conversam 3 vezes ao dia, mas negam que tenham um caso! No churrasco, encontrei até a esposa do Léo - nossos amigos que moram da Noruega. Por acaso ela estava também passeando em Recife e foi nos encontrar.


Quando combinamos o churrasco aqui em Estocolmo, nós também falamos em um bolo de aniversário com parabéns para a Beatriz - ainda que um mês antes da data. Mas nao podia ser qualquer bolo. Tinha que ser o bolo de chocolate com menta da Dalena, o mesmo que servi no meu último aniversário em Recife. Naquela festa, eram esses os mesmos convidados. Entao a Bia teve o mesmo bolo e as mesmas pessoas na sua festa. Se ela já tivesse nascido em 2008, seria quase um dèjá vu, né nao? :)


Acho lindo quando as maes por aí postam que encomendaram isso e aquilo, fizeram uma festa linda e tal. Essa coisa daquelas plaquetinhas personalizadas com o nome da cria. Tao primoroso. Tao delicado. Mas veja só,  nao fiquei prá trás nao.... hehehehehe....improvisando a gente se ajeita. Emprestei a decoracao que minha amiga usou na festa do filho dela e a amiga blogueira escreveu e recortou o nome da Bia ali mesmo durante o churrasco. Os meninos encheram as bexigas - pra cada três, estouravam duas - e completamos com chapéu de festa. Pronto. Essa foi a festa da Bia. Nao teve doce, salgado, nem brigadeiro. Mas teve o bolo. E que delícia de bolo!!! PS- Essa foi a segunda festinha da Bia, e dessa vez, ela  nao chorou!


Eu estava no Nordeste e por isso, nao tinha chimarrão. Mas se tivesse, eu tomaria. Saudade do meu tempo de prenda...

PS- Próxima parada: Joao Pessoa - Paraíba

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mas as coisas findas...

Tiramos o último dia em Porto de Galinhas para ficarmos no hotel. Nesse dia valeu cada centavo ter escolhido um hotel com uma estrutura boa inclusa. Ali tínhamos tudo o que precisávamos, as meninas curtiram a vontade e o preço foi bem longe de um resort. Se alguém se interessar, procure por flat Ancorar na internet. Tem vários para alugar e na baixa temporada a diária é ainda mais convidativa. 


Às vezes as pessoas me perguntam sobre como viajamos com crianças, nos aventuramos em praia, enfrentamos buggy e jangada, seguramos a onda das birras e carregamos tantas tralhas. Como manter a sanidade mental? Bom, em primeiro lugar, eu preciso dizer que eu curto tudo isso. Nao é um peso estar com minha filha fazendo macacada por aí. Se me canso? É claro que me canso mais do que quando viajava sozinha, mas viver a plenitude dessa fase é muito compensador. Tenho uma vida pela frente - outras viagens virão - mas agora, sinto que é a vez de ser mãe mesmo! A Dani pensa da mesma forma e por isso a parceria vai bem. Tem gente que ficou nos encarando na praia quando passávamos, porque às vezes parecíamos duas feirantes. Eu compreendo o fato, porque no Brasil os costumes são diferentes e nem sempre as mães topam essa maratona. Mas a gente não ligou não. Era carrinho, bolsa, protetor solar, fralda, água, lencinho umedecido e brinquedos de areia prá cima e prá baixo. Ah sim... é claro. O sorriso. Esse a gente levava prá todo canto!

Daniela e Mikaela
Na frente do hotel tem uma praia que nao recomendam para o banho. É mar aberto, tem onda forte e por colocarem tantas placas de aviso, deve ter uns buracos. Mas na beirinha estávamos numa boa e por alguns instantes, Bia ficou hipnotizada com a paisagem da sua terra. No fundo, foi especial que esse enredo de encanto marcasse sua primeira visita ao estado de Pernambuco! 


Era nosso último dia em Porto e aproveitamos cada momento - o banho de mar, a brisa, as brincadeiras ao ar livre...


A noite jantamos no Restaurante do Polvo - recomendação do bugueiro - que durante o dia é restaurante e a noite, é pizzaria. A garçonete analisou as duas meninas e antes que dissesse que a Bia ia pagar e a Mikaela não, fui logo interrompendo: "Elas tem a mesma idade, moça!" E assim, Beatriz e Mikaela não pagaram o rodízio, o qual era cobrado para crianças acima de 5 anos. 


Naturalmente estávamos cansadas. As meninas estavam cansadas. E a solução para elas se acalmarem naquele fim de tarde, sem terem um ataque de cólera no calçadão da vila de Porto, foi colocá-las juntas no mesmo carrinho - como fazemos de vez em quando em Estocolmo - só para brincar!

Esse carrinho é forte mesmo!
E assim nos despedimos dessa praia linda e dessa viagem deliciosa, com companheiras incríveis!

Tchau Porto de Galinhas!
PS- O título do post se refere a um poema de Carlos Drummond de Andrade que li no chão do Museu da Gente Sergipana em Aracaju - cidade que estivemos antes de chegar a Porto de Galinhas. 

"Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão."


Foto do poema no Museu da Gente Sergipana (fev/2013)  
Dani e Mikaela, obrigada pela companhia. You rocked! 

Agora só faltam mais dois estados. O relato está (quase) terminando...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Flores em você

O quê? Esses leitores ainda nao sacaram em que praia nós estivemos???

Como assim???
Uma última pista, ok?


Vivi durante dois anos há 45 minutos de Porto de Galinhas e as dezenas de vezes que estive lá me parecem pouco hoje em dia. Quando se mora num país escandinavo onde o inverno dura nove meses e o país fica coberto de neve uns 6, o olhar sobre o sol e o mar se torna mais interessado e a experiência num clima tropical fica mais desejada e valorizada. Isso é o esperado e também natural para todo mundo que mora num país frio, embora alguns exagerem na dose e quando tornam o assunto metereologia o principal de suas vidas, é duro de aguentar tamanha chatice monotemática... :P Mas estar em Porto Galinhas não tem nada de chato, e eu tive a grande oportunidade de compartilhar com a Beatriz um pouquinho do que conheço daquele  pedaço de paraíso. Eu não costumo desperdiçar as oportunidades que tenho para viajar, até porque, esse destino tinha algo de especial. Beatriz, que também é pernambucana, estava finalmente conhecendo um pouquinho da sua terra. 

Passeio de jangada - fevereiro/2013
Algumas coisas nao mudaram na vila de Porto de Galinhas. Todo cuidado é pouco com os ambulantes que nos convidam para sentar nas cadeiras com guarda-sóis. Desta vez, eles disseram que eu e a Dani poderíamos nos sentar de "graça" e depois de muitas perguntas, eles explicaram que era necessário uma "consumaçãozinha" pequena em troca das cadeiras. Nada demais. Só deveríamos pagar 45 reais cada porção! Tem coisas que parecem não mudar por lá... infelizmente. É óbvio que não fechamos negócio e fomos andar de jangada carregando a tralha de sempre. Ah! Neste dia saímos sem os carrinhos das meninas! Com relação ao passeio de jangada, agora ele é marcado no cronômetro. São 45 minutos e custa 15 reais por pessoa. O jangadeiro é também um guia e nos fornece isca para alimentarmos os peixes.


Enquanto procurava as fotos para esse post, encontrei um vídeo na filmadora que mostra o momento em que o jangadeiro-guia nos convidou a entrar na piscina natural. Ou seja, nós não demos uma de abelhudas que não respeitam as regras do lugar. Fomos convidadas e entramos na água, oras. Aliás, eu sempre nadei nas piscinas naturais todas as vezes que estive neste passeio. Só que o fiscal veio nos convidar a se retirar da água porque agora não pode mais nadar nessas piscinas. É uma regra meio contaditória. Tem hora que pode, tem hora que não. Vai entender. Eu acho que ele sacou de longe a quantidade de protetor solar que tínhamos passado nas meninas. Ou quem sabe o bronze palmito da Mikaela gringa chamou ainda mais a atenção. Porém, antes de sairmos, o guia fez a foto.

Pena que esses peixes não são aqueles comem cutículas... :P
O fiscal era um cara amigável, porém ele estava ali para nos dar uma chamada, falar do meio ambiente, explicar como se preserva e tal. Mas a Dani, que é uma das pessoas mais simpáticas que eu conheço, fez logo amizade com o cara - o nome dele é Leite, fiscal Leite - e ainda pediu para fazer uma foto com ele!


Não foi só isso. Ela disse para ele que a foto ia para um blog famoso, passou o endereco e ali mesmo, em meio às piscinas naturais de Porto de Galinhas, o Leite acessou do celular o Minha Aquarela. Hahahahhahahahahah... Antes que ele descobrisse que o blog não era famoso coisa nenhuma, nós já estávamos zarpando dali. Saindo da água, decidimos rápido emendar outro passeio. Dessa vez, de buggy. Ebaaaa!

Pontal de Maracaípe
Mas barbaridade tchê, que esse passeio foi bom demais! Fechamos com o bugueiro por 4 horas e só dava nós gritando pelas areias de Porto. Eu fui no banco de trás e Beatriz ria tanto com os solavancos que  espumava de alegria!!!

Visitamos no Projeto Hipocampus - preservação dos cavalos marinho. É bem menor que o Projeto Tamar de Aracaju, mas mesmo assim valeu ver os bichinhos e apresentá-los às meninas.


A praia de Muro Alto é a top de Porto de Galinhas. Ali ficam os principais resorts como Summerville, Beach Class e o poderoso Nannai. O Enotel também acho um bambambam, mas não fica nessa praia. Nós não estávamos hospedadas em nenhum desses, mas como a praia é pública, nós invadimos a área VIP sem usar crachá. :)

Ao fundo, Resort Nannai
Quando fui a primeira vez a Porto de Galinhas, com toda minha curiosidade de menina de interior, queria saber o por quê dos nome de tudo, e saí perguntando para os nativos. Então eles me explicaram que Muro Alto tem esse nome porque é contornado por um paredão de areia que parece um muro. Esse paredão, para a minha professora de geografia da quinta série se chama "falésia", mas ali ficou o nome de Muro Alto mesmo. A praia é toda contornada por arrecifes (essas pedras que não deixam os tubarões passarem pro lado de cá...rs) e isso forma um piscinão de ramos perfeito prá tomar banho com quiança. 

Arrecife ao fundo
Mas só existem dois meios de se chegar a Muro Alto: ou vai a pé ou vai de buggy. Ah sim, ou desemboca 1000 reais por dia e se hospeda num resort! Ou seja, é um lugar muito, mas muito tranquilo e reservado. Nós também passamos pela praia do Cupe, cortando o hotel Village pela areia. Não tem rua, não tem asfalto, não tem ambulante. A coisa ali é quase que praia particular...

Por fim, o bugueiro nos deixou no flat do Ancorar onde estávamos hospedadas. A noite tomamos táxi de novo e fomos para a vila comer espetinho de filé coberto com provolone. Afe, vou contar os anos prá comer aquilo de novo, porque aqui na Suécia, esquece. E claro que a Dani me adora e até tirou uma foto linda...

...quando o fiapo de carne entrou no dente!
E para finalizar, mais um vídeo (tosco, claro!). A propósito, você sabe qual a extensão do metrô de SP? E quais eram as capitanias hereditárias? 


PS- O título do post foi inspirado na música "Flores em você" do IRA. Primeiro, porque eu e a Dani usamos maiôs floridos nesse dia. Segundo porque a letra se afina com o objetivo desses relatos de viagem.

"De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois..."

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Conversando miolo de pote

Quem tomou o voo 1284 com destino a Recife???


Passei um aperto no embarque em Aracaju. Depois de ter feito check in umas seis vezes pela TAM, dessa vez queriam me cobrar excesso de bagagem, sendo que as malas estavam com o mesmo peso. Só que o funcionário da TAM disse que a bagagem da Bia seriam 23 kg INCLUINDO o carrinho. Como eu não estava levando bagagem de mão para a Bia, comecei a transferir os itens e passar 5 kg como bagagem de mão e assim, me livrei do excesso. Segundo o funcionário, somente bebês até 2 anos podem carregar o carrinho sem contar como bagagem. Ok, mas depois de 6 embarques, alguém me fala isso? Uma mãe, viajando sozinha, tanta tralha, será que era preciso aquele estresse no balcão? Ele ficou sem graça, eu fiquei puta e embarquei. No voo, um comissário muito simpático me ofereceu coca-cola. Beatriz me encarou e eu respondi: 
- Sim, por favor eu quero café!
- Fazendo toda uma cena, ele perguntou: - E a senhora vai querer gelo no café?
- Claro, por favor. - indiquei com cara de pau.
Beatriz pediu água e seguimos. E continua sem saber o que é coca-cola ou qualquer outra espécie de refrigerante. Sobrevivemos. É isso que sinto quando penso em dois meses no Brasil e várias pessoas oferecendo refrigerante para uma menina que não tinha nem 3 anos. Sobrevivemos! :)

Sobre quem estava nos esperando no aeroporto.... Ninguém acertou!!! Mas vou contar. Foram elas, a dupla companheira aqui de Estocolmo - Daniela e Mikaela. A Dani contou que a GOL anda cobrando a refeição dentro da aeronave. Não sabia que o esquema Ryanair estava chegando ao Brasil. Agora só faltam as tarifas serem como da Ryanair, né não? ;) Dessa vez nos encontramos em Recife e claro que aprontamos de novo. Essa é a quarta viagem que fazemos juntas. Vamos contar: 1) Tallin na Estônia, 2) Sunny Beach - Bulgária, 3) Copenhague - Dinamarca e 4) Recife - Brasil. Quero dizer, nós não nos hospedamos exatamente em Recife. Direto do aeroporto, pegamos um transfer que era uma doblô pré-reservada pela Dani e fomos para aquela que é considerada uma das mais belas praias do Brasil. Nós reservamos um flat dentro de um resort, que fica bem mais em conta que se hospedar num resort e pagar pelos serviços todos. Antes disso, passamos num mercadinho e fizemos uma compra reforçada porque não teríamos nada no flat - nem água para tomar.


O dia amanheceu e lá fomos nós conhecer as instalações do lugar. 


A piscina era per-fei-ta para crianças pequenas.
O que a Dani está fazendo???
1- Tirando foto do sol prá levar de recordação para a Suécia e sua escuridão de novembro.
2- Tirando foto de si mesma para postar no facebook.
3- Procurando um pauzinho de sinal de wifi na praia. (x)

Conversa de duas mães em uma praia muito bacana:

Dani, meu dinheiro tá acabando... socorroooo!
Se você não relaxar agora, juro que te dou um croc!
Ainda bem que o mundo não acabou dia 21 de dezembro

Eu não consigo sair sem levar o carrinho!
E tudo acaba em pizza.
Fomos de táxi até a vila e checamos a tábua das marés para o dia seguinte. Estávamos eufóricas com os passeios porque tínhamos muitas opções naquele lugar. Fizemos um vídeo no hotel, mas olha, já adianto que eu e a Dani não somos esse nojo que aparece não. No fundo a gente é pior! :D Brincadeirinha!


Meu marido diz que quando a gente fica falando bobeira - como no vídeo - a gente tá "conversando miolo de pote". Para assunto sem importância, também podemos dizer "conversando potoca". No Nordeste, o vocabulário é muito mais extenso que no Sul do Brasil!

Mas enfim, onde estávamos? Que praia era essa afinal? Algum palpite?