Eu cheguei na Paraíba armada. Acho que é isso o que fazem a maioria das noras quando estão indo visitar a sogra. Se armam e ficam na defesa. No primeiro choque de ideias, o combate pode ter início: preparar, apontar... e pedra prá tudo que é lado. Tsc... tsc...tsc... tolinhas! Nós mulheres temos o hábito de competir espaço e se preciso, montamos em segundos um campo de batalhas. Nao sei exatamente de onde vem isso, mas creio que teorias expliquem. Fui recebida na Paraíba com um carinho e um respeito tao acolhedores que abro um sorriso largo só de lembrar. Mês que vem completo 5 anos morando fora do Brasil e quando revejo as fotos da Paraíba eu penso no quanto importante foi ter levado a Beatriz para encontrar os familiares. Nesses últimos dois meses que voltamos para a Suécia, estou escrevendo o relato de viagem e passando por uma série de reflexões na nossa vida. Algumas coisas mudaram para mim e estou vivendo um necessário momento "tatu-bola" (fechada para balanço).
Parte dessas reflexões me fazem avaliar o comportamento amistoso que observei nos nossos conterrâneos durante a viagem. Sim, do brasileiro. Um ser único que possui um DNA amistoso. O sueco nunca - nunquinha vai ter essa amorosidade que eu notei. Suecos possuem muitas qualidades, mas nao essa. E eu venho pensando no amor que a Beatriz recebeu no Brasil enquanto brincava com as primas e ganhava abraços dos tios. A paciência do avô em levá-la para brincar no carro todas as noites na garagem e aquela avó, ah... a sogra... falo bem, falo mal, ou falo a verdade? A sogra foi uma verdadeira parceira com quem eu me sentia totalmente a vontade para conversar e pedir opinião. Avó dedicada, sogra tranquila, mae amorosa.
Quando moramos fora, é necessário atentarmos para a grande oportunidade que temos em criar um filho recebendo o que há de melhor em dois mundos, e definitivamente, nao abro mao do que há de bom do Brasil. Eu nunca cheguei num parquinho aqui em Estocolmo e escutei de um pai ou de uma mae: "Filho, dá a mao para a amiguinha! Filho, chegou uma amiguinha pra brincar!" e possivelmente, nao vou escutar - salvo se a Beatriz for mesmo "amiguinha" do piá. Mas no Brasil eu ouvi isso inúmeras vezes, porque isso é brasileiro. É o tipo de característica positiva, que é nossa e eu quero muito que a Beatriz cresça com ela.
Eu tinha receio de que nao rolasse química entre a Bia e as primas. Também fiquei com um pé atrás com os costumes, já que ela está habituada à cultura sueca. Mas que nada. Quanta bobeira da minha cabeça! A empatia entre as meninas aconteceu desde o primeiro dia e eu fiquei muito satisfeita em ver aquela aproximação, já que por aqui, nao temos nenhum familiar. Na Paraíba, vivemos dias de sol, com muita piscina, praia e calor. Digo, calor humano mesmo, aquele que encontramos entre brasileiros. Espontaneidade, risada alta, irreverência, amorosidade, felicidade, carisma, simpatia, amizade, brincadeira, molecagem, parceria, obra-prima... Primas! Quem nao tem um carinho especial por um primo e/ou uma prima desde a infância? Cresceu junto tocando o terror na vizinhança, ou se encontravam só nas férias pra destruirem a casa dos avós? Aquele primo ranhento que se recusava a usar lenço e às vezes comia secreção (eca!). O outro tinha o cabelo mais armado que o capitão-caverna e o beiço mais grosso que de um índio botocudo. Sempre tem um primo fresco que nao come nada e outro guloso, que come o resto dos outros. Tem aquele café-com-leite que é dedo-duro e o que pensa que é rico e conta vantagem. Tem o conselheiro e o chorão. Tem o que nao gosta de tomar banho, o estudioso e o folgado. E também tem o esquisito, mas toda a família finge que ele é normal.
Parte dessas reflexões me fazem avaliar o comportamento amistoso que observei nos nossos conterrâneos durante a viagem. Sim, do brasileiro. Um ser único que possui um DNA amistoso. O sueco nunca - nunquinha vai ter essa amorosidade que eu notei. Suecos possuem muitas qualidades, mas nao essa. E eu venho pensando no amor que a Beatriz recebeu no Brasil enquanto brincava com as primas e ganhava abraços dos tios. A paciência do avô em levá-la para brincar no carro todas as noites na garagem e aquela avó, ah... a sogra... falo bem, falo mal, ou falo a verdade? A sogra foi uma verdadeira parceira com quem eu me sentia totalmente a vontade para conversar e pedir opinião. Avó dedicada, sogra tranquila, mae amorosa.
Quando moramos fora, é necessário atentarmos para a grande oportunidade que temos em criar um filho recebendo o que há de melhor em dois mundos, e definitivamente, nao abro mao do que há de bom do Brasil. Eu nunca cheguei num parquinho aqui em Estocolmo e escutei de um pai ou de uma mae: "Filho, dá a mao para a amiguinha! Filho, chegou uma amiguinha pra brincar!" e possivelmente, nao vou escutar - salvo se a Beatriz for mesmo "amiguinha" do piá. Mas no Brasil eu ouvi isso inúmeras vezes, porque isso é brasileiro. É o tipo de característica positiva, que é nossa e eu quero muito que a Beatriz cresça com ela.
Eu tinha receio de que nao rolasse química entre a Bia e as primas. Também fiquei com um pé atrás com os costumes, já que ela está habituada à cultura sueca. Mas que nada. Quanta bobeira da minha cabeça! A empatia entre as meninas aconteceu desde o primeiro dia e eu fiquei muito satisfeita em ver aquela aproximação, já que por aqui, nao temos nenhum familiar. Na Paraíba, vivemos dias de sol, com muita piscina, praia e calor. Digo, calor humano mesmo, aquele que encontramos entre brasileiros. Espontaneidade, risada alta, irreverência, amorosidade, felicidade, carisma, simpatia, amizade, brincadeira, molecagem, parceria, obra-prima... Primas! Quem nao tem um carinho especial por um primo e/ou uma prima desde a infância? Cresceu junto tocando o terror na vizinhança, ou se encontravam só nas férias pra destruirem a casa dos avós? Aquele primo ranhento que se recusava a usar lenço e às vezes comia secreção (eca!). O outro tinha o cabelo mais armado que o capitão-caverna e o beiço mais grosso que de um índio botocudo. Sempre tem um primo fresco que nao come nada e outro guloso, que come o resto dos outros. Tem aquele café-com-leite que é dedo-duro e o que pensa que é rico e conta vantagem. Tem o conselheiro e o chorão. Tem o que nao gosta de tomar banho, o estudioso e o folgado. E também tem o esquisito, mas toda a família finge que ele é normal.
Primo é aquele que escreve junto a história da nossa infância!
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| A infância é mais doce quando temos primos! |
E como recordar é viver, aproveito prá registrar e relembrar os bons momentos com as primas na cidade de John People - Paraíba.
Desde o início, Beatriz se referiu a prima Alice - 3 meses mais velha - como Lilice. Deu química, sabe? Mas também, acho difícil alguém nao se dar bem com a Lilice. Já viu uma criança de 3 anos que compartilha os brinquedos?
O primeiro dia de piscina no clube, choveu pela manha, mas nada que desanimasse a dupla.
Eu sempre digo que pai bom é pai que dá segurança para o filho.
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| "Isso filha, fica calma que eu te seguur..." e derruba a menina! |
E claro que procurei registrar todos os momentos de companheirismo entre elas!
E meu marido matou a saudade de comer guaiamum, esses caranguejos enormes. Quero dizer, esse da foto eu nao sei o que é nao... afinal, eu nao como! :)




















